A experiência cristã processa-se em três níveis:
ð Em primeiro lugar estão os dias de “cimo de montanha” em que tudo vai bem e o mundo parece cheio de sol. É porém irreal pensar, como fazem muitos, que podemos passar a vida pulando de um para outro pico de montanha, como se não houvesse planícies ou vales entre eles.
ð Os “dias comuns”, portanto são aqueles em que fazemos nossos trabalhos usuais e não nos sentimos nem exultantes nem deprimidos.
ð Em terceiro lugar vêm os “dias sombrios”, quando nos arrastamos pesadamente através do desânimo, desespero, dúvida e confusão.
A Depressão:
ð tem sido reconhecida como um problema há mais de 2000 anos;
ð todos experimentam até certo ponto e em períodos diferentes da vida;
ð artigo no jornal da Associação Médica Americana sugeriu que o homem tem sofrido mais como resultado da depressão do que de qualquer doença que tivesse afetado a humanidade.
Sinais da Depressão
ð tristeza, apatia e inércia, tornando difícil continuar vivendo ou tomar decisões;
ð perda de energia e fadiga, normalmente acompanhada s de insônia;
ð pessimismo e desesperança;
ð medo, auto-conceito negativo, quase sempre acompanhado de auto-crítica e sentimentos de culpa, vergonha, senso de indignidade e desamparo;
ð perda de interesse no trabalho, sexo e atividades usuais, perda de espontaneidade;
ð dificuldade de concentração;
ð incapacidade de apreciar acontecimentos ou atividades agradáveis;
ð freqüentemente perda de apetite;
ð pode ser mascarada: a pessoa nega sentir-se triste, mas eventos tristes na vida da pessoa seguidos por alguns sintomas acima levam a suspeitar de depressão.
Tipos de depressão
ð pode ocorrer em qualquer idade;
ð depressão reativa (exógena): reação a uma perda real ou imaginária, ou qualquer outro trauma;
ð depressão endógena: parece surgir espontaneamente do íntimo, geralmente encontradas em idosos;
ð depressão psicótica: envolve desespero intenso e atitudes auto-destrutivas, geralmente acompanhada de alucinações;
ð depressão neurótica: mescla-se com níveis elevados de ansiedade;
ð depressão crônica ou aguda.
Depressão e a Bíblia
ð os Salmos sugerem esse problema (mas sempre trazem junto ao desespero a esperança) 43, 69, 88 ou 102
ðJó, Moisés, Jonas, Pedro e toda nação de Israel experimentaram depressão (Jó 3; Nm 11:10-15; Jn 4:1-3; Ex 6:9; Mt 26:75)
ð Jeremias escreveu um livro inteiro de Lamentações
ð Elias (I Re 19)
ð Jesus no Getsêmane (Mt 26:38-38)
ð a Bíblia faz numerosas referências à dor do sofrimento, mas sempre contrastada com a esperança; (ex: Sl 34:15-17; 103:13-14; Mt 5:12; 11:28-30; Jo 14:1; 15:10; Rm 8:28; 15:13)
“o foco da Bíblia está na fé em Deus e na certeza de uma vida abundante no céu, caso não seja até mesmo na terra”
I. As Causas da Depressão
Descobrir as causas facilita o tratamento.
1. Causas Físico-Genéticas
a) geralmente tem origem física;
b) falta de sono e alimentação imprópria são as mais simples;
c) entorpecentes, contagem baixa de açúcar no sangue e outros elementos químicos desiquilibrados, tumores cerebrais ou desordens glandulares;
d) perda de energia do hipotálamo;
2. Causas Ambientais
experiências na infância podem levar à depressão na fase adulta
a) crianças separadas dos pais, criadas num orfanato; crianças privadas de contato humano caloroso apresentam apatia, má saúde e tristeza;
b) quando os pais aberta ou sutilmente rejeitam os filhos; famílias que buscam “status” estabelecem padrões elevados demais que não podem ser alcançados pelos filhos (o fracasso é inevitável)
3. Incapacidade Aprendida
a) vem de situações que não temos controle;
b) surge quando nos sentimos incapazes e desistimos de tentar;
c) ex: não pode trazer de volta um ente querido, um aluno que não consegue ser bem sucedido nas provas, na pessoa mais velha incapaz de inverter o relógio do tempo e recuperar capacidades perdidas.
4. Pensamento Negativo
a) observar o mundo e as experiências da vida negativamente;
b) visão negativa de si mesmos: sentem-se ineficientes, inadequados, indignos e incapazes de agir eficazmente (leva à auto-acusação ou autopiedade)
c) encaram o futuro de maneira negativa (só vê dificuldade, frustração e desesperança contínua)
d) o pensamento negativo pode ser usado para dominar os outros: quando diz que tudo é desanimador, outros tentam “encorajá-la”. O comentário “não presto pra nada”, no geral é uma tentativa inconsciente de fazer com que os outros digam: “nada disso, você é ótimo”.
5. Tensão
tensão que acarreta perda
a) perda de oportunidade, um emprego, posição, saúde, liberdade, uma competição, bens e outros objetos de estimação;
b) perda de pessoas: divórcio, morte ou separações prolongadas.
6. Ira
o sentimento de ira voltado para dentro
a) pessoas criadas em escola onde a ira não é tolerada;
b) igrejas onde a ira é condenada como pecado;
c) outras pessoas se convencem que não devem ficar zangadas (Uma viúva pode ficar irada contra o marido que morreu deixando-a sozinha para criar os filhos, mas tal ira parece irracional e com certeza despertará um sentimento de culpa na pessoa que tem tais pensamentos com relação a um morto. A ira será negada, mantida intimamente.)
O que acontece quando a pessoas sente-se frustrada, ressentida e cheia de ira?
1o. emoção | 2o. emoção | 3o. emoção | 4o. emoção |
mágoa | ira | vingança | Ação destrutiva ou Sintomas psicossomáticos ou depressão |
A 1a. emoção a ser sentida | Esconde a mágoa | Oculta a mágoa e a ira | Oculta a mágoa, a ira e o sentimento de vingança |
d) alguns usam a depressão como método sutil e socialmente aceitável de expressar a ira e obter vingança (algumas pessoas deprimidas vêem a depressão como um meio de ferir outros, como se a depressão em si se tornasse uma expressão indireta de hostilidade. É quase como se estivessem dizendo: “Estou deprimido e não há nada que você possa fazer a respeito, mas a culpa é sua e se não me der atenção e simpatia, posso ficar mais deprimido ou cometer algum gesto desesperado”.
7. Culpa
a) quando a pessoa sente que falhou ou fez algo errado surge a culpa;
b) a culpa gera auto-condenação, frustração, desesperança;
II. Os Efeitos da Depressão
1. Infelicidade e Ineficiência
a) sentem-se desanimado, desesperançados, autocríticos e miseráveis
b) falta entusiasmo, mostram-se indecidos e com pouca energia para fazer as coisas mais simples.
c) a vida é caracterizada pela ineficiência, mínimo de realização e dependência dos outros.
2. Reações Mascaradas
a) pode aparecer como queixas físicas (hipocondria);
b) agressividade e explosões de mau gênio;
c) comportamento impulsivo (jogatina, bebedeira, violência, impulso de destruição e sexo compulsivo, tendência a acidentes, trabalho compulsivo, etc)
d) está sorrindo por fora, mas intimamente desesperado.
3. Retração
a) quando sente-se desencorajada, desmotivada, aborrecida com a vida e lhe falta auto-confiança sentem o desejo de afastar-se dos outros
b) desejo de devanear e de escapar para um mundo de televisão, novelas, álcool ou drogas;
c) alguns sonham em fugir ou encontrar um emprego mais simples.
4. Suicídio
a) geralmente entre adolescentes, pessoas que vivem sós, os não-casados (especialmente os divorciados);
b) desejo sincero de fugir desta vida;
c) outros como pedido de socorro, manipulação ou para vingar-se;
III. Como Evitar a Depressão
Não se pode evitar a depressão totalmente, mas as de longa duração sim.
1. Confiança em Deus
a) aprender a viver na alegria e na tristeza (Fl 4:11-13)
b) estude as Escrituras (Deus está vivo e controla tudo)
2. Espere o Desânimo
a) Jesus disse que teríamos aflições (Jo 16:33)
b) Tiago ensinou a respeito (Tg 1)
3. Aprenda a tratar com a Ira e a Culpa
pedir ajuda de Deus para esquecer o passado e perdoar, inclusive a nós mesmos
4. Aprenda a Enfrentar os Pensamentos
aprenda a pensar no que é saudável (Fl 4:8)
5. Aprenda Técnicas para Resistir
a) evitar a superproteção;
b) aprender a enfrentar ou dominar as tensões da vida.
6. Busque Apoio
esteja sempre em comunhão com os irmãos e assíduo aos trabalhos da igreja
7. Estenda a Mão
participe das reuniões e cultos da igreja, isso vai ajudar outras pessoas
8. Encoraje a Aptidão Física
boa alimentação e exercício torna o corpo mais saudável e menos suscetível às doenças mentais e físicas.
[1] Estudo baseado no livro COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão. Tradução de Neyd Siqueira. São Paulo: Vida Nova, 1995. Pgs 73-85
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